Bem-vindo | Bem-vinda | Página de Desenvolvimento Pessoal e Humano | Formação em Inteligência Emocional - Eneagrama/Perfis de Personalidade - Comunicação Não Violenta - Equilíbrio Pessoal - Mindfulness/Aprender a Meditar - Educação para a Morte | Life Coaching e Executive Coaching
Contacte-me
Mudar texto

Um exemplo de como trabalhar o desenvolvimento pessoal

A maior parte dos seres humanos estão na existência como se estivessem a fazer uma telenovela. Desde pequenitos aprendemos um papel, que tendo sido representado tantas vezes gera-nos a ilusão de sermos uma personagem, em vez de uma pessoa, acreditando que a mudança não é possível. Porém, o ser humano tem um potencial enorme que consegue ultrapassar todo o tipo de limitações dessa personagem: a preguiça, a impaciência, a vitimização, a impulsividade, a intolerância, etc.

Mas para isso são precisas várias coisas: ter consciência do jogo, aprender a parar, assumir aquilo que pode ser melhorado, querer trabalhá-lo e pôr-se a andar. O problema é que o questionamento da própria pessoa não é um trabalho muito valorizado. E a própria estrutura social competitiva, considera a nível prático uma perda de tempo e um assunto para “fracos” o trabalho de desenvolvimento pessoal. Entristece-me tanta ignorância. É como ver uma multidão de águias a andarem torpemente pelo chão como se fossem galinhas, mostrando umas às outras o tamanho e a beleza das suas asas, mas sem nenhuma delas usar essas asas para voar (se calhar com medo a serem criticadas por não fazer logo um voo “perfeito”). Escuta-se muito a expressão, “pronto, eu sou assim”, dando a entender, “eu tenho muita personalidade e não vale a pena tentar mudar o que quer que seja”, ou “eu já não tenho idade para isso”. É uma pena, pois normalmente os outros conseguem ver facilmente que a mudança é mesmo possível, que a pessoa se poderia sentir muito mais feliz e ser mais eficiente, e que provavelmente incrementaria a sua capacidade para dar mais felicidade aos outros. Só que a falsa crença de “perder personalidade” pelo facto de mudar, e provavelmente o medo à mudança, leva mesmo a não querer.

E também é preciso respeitar essa opção. Não se pode desabrochar uma rosa à força. A observação nos diz que querer mudar os outros não nos leva a lado nenhum, muito pelo contrário. Mas quando nós mudamos, para além de encontrar uma expectável resistência à mesma, a médio e longo prazo acontece um fenómeno muito bonito: os outros também começam mudar. No fundo, quando os outros conseguem ver que a nossa mudança foi positiva e que nos sentimos mais felizes, então isso que foi interpretado inicialmente como fragilidade e instabilidade, acaba por ser percecionado como um sinal de inteligência humilde, e no fundo de pessoa forte. Passamos a ser percecionados como fortes juncos silvestres, sempre em movimento com o vento, mas fortemente enraizados, em contraposição às rígidas árvores, sempre em resistência ao vento, e com grande probabilidade de partir com ventos maiores…

Da minha experiência como coach, do meu ponto de vista os grandes sucessos no desenvolvimento pessoal estão associados a pequenos passos, a pequenos objetivos, a muita tolerância, a muito amor, e a muita persistência, muito mais do que a uma tentativa de querer impor grandes objetivos e estar submetido à pressão de obter logo um resultado a curto prazo, com alguma “técnica” maravilhosa. Por exemplo, imaginem que quero trabalhar conscientemente o facto de ser uma pessoa “muito crítica”. Se calhar já tomei consciência de que criticar os outros não funciona, e que não me leva a nada prático. Não consigo que os outros mudem, estou desgastado com tanta irritação interna, e ainda por cima tenho como resultado o afastamento real dos outros que começam evitar-me. Isto é um exemplo real de algo que pode ser trabalhado a nível de desenvolvimento pessoal.

Neste exemplo concreto, e querendo mudar esta realidade, um primeiro objetivo simples, e só tomar consciência no momento em que sinto irritação e crítica contra alguém. O tal conseguir observar-te de fora, sem julgar, sem avaliar, sem criticar. Mais nada, sem mais objetivos. E vamos supor que este objetivo de compromisso de observação é durante uma semana. Depois observamos os resultados. Imaginem que numa primeira semana, de 10 vezes em que nos sentimos irritados e críticos contra alguém, afinal só conseguimos estar conscientes uma. Neste caso, sinto que é infinitamente mais útil dar-se os parabéns por essa vez em que o objetivo foi conseguido (de facto se antes não tínhamos mínima consciência e agora já o conseguimos uma vez, passar do zero ao um é muito!) do que ficar logo paralisado com sentimento de incompetência por ter “falhado” 9 vezes. Se fizermos isto, provavelmente vamos logo alimentar a crença do “eu não consigo” e desistir logo. Da outra forma, já temos pelo menos uma experiência de ter conseguido, que nos irá dar forças para continuar. Numa fase seguinte, e já com algum treino na auto-observação, se calhar o objetivo seguinte seria ter a capacidade na hora, e perante a pessoa que estamos a criticar, de nos fazer alguma pergunta interna. Por exemplo: “Se eu estivesse no lugar dessa pessoa, como é que eu faria?”; “terá acontecido alguma coisa a essa pessoa para agir dessa forma?”, Etc. Este tipo de questões vai arrefecer logo a emoção e, sem dúvida, nos levarão a ter uma atitude mais empática, evitando uma espiral de ação-reação com o outro. E mais uma vez, observamos os resultados, valorizando aquelas vezes em que conseguimos ser conscientes da situação para ter a escolha de optar pela atitude empática, em vez de nos penalizar pelo facto de nos termos deixado levar mais uma vez pela irritação interna. Numa fase seguinte, se calhar o assunto seguinte será saber impor limites ou saber pedir assertivamente algo ao outro, e assim em diante. Já agora, e porque os compromissos serem só de uma semana? Por um motivo simples, e parecido ao anterior. Uma semana é um tempo razoável para agarrar um compromisso com consistência e conseguir cumpri-lo. Se meter logo um compromisso de “21 dias”, ou de um mês, ou de um tempo maior, a minha experiência me diz que é muito fácil desistir por qualquer motivo, e sendo assim, também é fácil alimentar o sentimento de fracasso e desistir de vez. Sendo uma semana, sempre temos a oportunidade de ter a liberdade de continuar a trabalhar com o mesmo objetivo, de escolher outro, ou simplesmente de parar. Normalmente o que costuma acontecer, é que tendo conseguido algum resultado, é mais fácil renovar o compromisso e querer continuar.

É claro que se esse trabalho for acompanhado de uma forma consciente com questionamento de crenças, de valores pessoais, com o apoio de boas leituras, com pesquisa e formação, ou com a simples partilha de experiências com outras pessoas, os resultados poderão ser ainda muito mais profundos e consistentes. E ter um caderninho de auto-observação também pode ser muito prático. Como podem ver, isto dá pano para mangas. Quando nos observamos a nós próprios com a mesma curiosidade de um explorador a descobrir novos mundos, o desenvolvimento pessoal passa a ser uma fonte inesgotável de trabalho prazeroso, com resultados claramente visíveis. A vida são dois dias. É bom aprender a saber aproveitá-los com toda a intensidade.

 

Mário Madrigal

Voltar
30681 visitantes