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ATIVISMO EMOCIONAL

“Fazer o bem”. É uma expressão que internamente qualquer ser humano entende em qualquer parte do mundo e em qualquer momento da história, independentemente do seu sistema de crenças. E parece que há consenso em que fazê-lo gera maior sentimento de plenitude e satisfação vital do que não fazê-lo. Porém, há dois grandes obstáculos para a sua concretização: a falta de consciência/ignorância, e o foco da nossa atenção base.

A nível mais próximo o ativismo emocional seria passar do passivo “gostar de alguém” a sermos ativos e demonstrar proximidade na prática com regularidade às pessoas de quem gostamos: contatar para saber como é que estão, escutá-las, estarmos atentos às suas necessidades, marcar presença nos momentos importantes, partilhar com elas o nosso mundo. Uma forma infeliz de nos apercebermos da importância deste ativismo de proximidade é o sentimento que fica em nós quando de repente falece alguém de quem realmente gostamos, mas perante quem tivemos em vida uma atitude passiva.

Alargando o nosso olhar, ativismo emocional envolve sermos conscientes e ativos em relação a uma realidade maior à qual pertencemos, queiramos vê-la ou não. Por exemplo, sermos conscientes das dificuldades de sobrevivência diária de milhões de seres humanos no planeta agindo quer nas causas imediatas dessas dificuldades (fome, subnutrição, inexistência de condições sanitárias mínimas, semiescravatura, falta de escolarização, etc.), quer nas causas profundas que provocam essa situação (um sistema económico ganancioso desprovisto de qualquer ética, acompanhado no Terceiro Mundo de sistemas políticos profundamente corruptos apoiados por esse próprio sistema). Por exemplo, sermos conscientes do enorme sofrimento animal provocado maciçamente pela indústria alimentar diariamente em milhares e milhares de aves, porcos, vacas, e outros animais não humanos. Por exemplo, sermos conscientes do impacto nas condições de vida da geração atual e fundamentalmente nas das gerações futuras das alterações climáticas provocadas pelo homem no seu claro maltrato do planeta. E por exemplo, sermos conscientes da possibilidade real de desaparecimento dos humanos e de outros animais como espécies (guerra nuclear; bioterrorismo; desenvolvimento de inteligência artificial que se possa tornar hostil, etc.). E as formas de agir são tantas e a tantos níveis! Não é preciso ficar paralisado pelas inúmeras causas existentes. Se cada ser humano apoiar regularmente pelo menos uma delas, aquela com que se identificar mais, ou mesmo envolver-se nela, o mundo seria radicalmente diferente.

Felizmente há cada vez mais pessoas no planeta que de forma consciente dedicam cada vez mais tempo e recursos financeiros pessoais para estas causas, optando por um estilo de vida de simplicidade voluntária. Outro assunto diferente e importante é a eficácia do nosso altruísmo. Nesse sentido tem lógica partir do pressuposto que o nosso altruísmo será mais eficaz a quantos mais beneficiar no presente e no futuro e é essencial informarmo-nos suficientemente sobre as instituições que prestam essa ajuda, exigindo transparência.

No que diz respeito ao foco, o ativismo emocional envolve passar como atitude base de estarmos autocentrados no nosso próprio mundo, vivências, experiências e interesses a enriquecermo-nos no contacto com os outros e a contribuir para melhorar o mundo. Passar da felicidade do ignorante (ou de quem quer ignorar a realidade) à felicidade de quem contribui para um mundo melhor na medida do seu possível. Acredito que esta seja uma das chaves do sentimento de realização e propósito de qualquer ser humano.

 

Mário Madrigal

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